quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Costas ao Vento

Gostaria que cada pensamento em você pudesse voar

Como essa pomba, que levanta voo à minha frente, eu não sei pra que lugar...

Pudera ela te encontrar, lhe dizer que estou aqui, frente ao mar

Com o pensamento perdido, longe... Muito longe o olhar

Procurando motivos para não esperar

Esperando...

Desejando que a força das ondas se quebrando, fosse a minha pra esquecer

Queria te ver, te entender...Beijar você

Te contar meu segredo

Meu medo, de mergulhar

Não sei nadar nesse mar de amar

Não tenho coragem / fico à margem...

Mas mesmo assim, sem saber

Amo você

E não sei viver sem que me doa a tristeza de não saber explicar o por quê?

Mas se puder aprender

Talvez um dia, te diga

Que em toda minha vida

Nunca houve alguém

A quem

Em pensamento respondesse

Se acaso perguntasse:

-Fica pra sempre comigo?

E eu

Simplesmente

Ficasse.


sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

QUARTA-FEIRA EM CINZAS

Me lembro apenas que era madrugada. Valdemar Madrugada o nome dele, como a noite que o conheci. Usava uma camisa listrada, o branco predominava, mas o rosa... azul... talvez 'liláix', das listras à muito usadas, 'verticaix', pareciam falar, como falava Madrugada sem dizer uma palavra. A calça de tergal cinza, no corpo magro tinha ginga, balançava mesmo quando se sentava. Combinava com os olhos, que eram cinzas, mesmo que não fossem cinzas como os cabelos grisalhos, contrastando com a pele mulata, mesmo que fossem mais brancos, era só ele que podia ver, mesmo que de todos possa lembrar, apenas dele não pude esquecer.

Quando fecho os olhos, mesmo abertos, sonhando. Ele vai entrando pelo lado esquerdo do salão, com uma bolsa, uma carteira de mão atravessada de baixo do sovaco. Parecia que guardava cartas, papéis, retratos... Algum segredo perdido, como o olhar, que procurava. Parecia aguardar um encontro, zanzava, pra lá e pra cá. Os movimentos lentos, fez aquilo durante muito...Muito tempo. Até se sentar, a meu lado.

Posso sentir o odor do seu corpo, exalava um perfume barato, um cheiro quente, de Brasil! Continuava a observá-lo de frente, ele agora de perfil, pois seus olhos continuavam procurando estavam agora, entre as pessoas... Dançando. Mas pude perceber que tinha razão, seus olhos eram cinzas! Aguados de tão claros, profundos de tanto amar. Não conseguia desviar os olhos de Valdemar, mas ele não percebia, não me via, nem a mim ou a ninguém, a não ser alguém que estava na pista. Segui-lhe a vista na mesma direção, então...
Estava vazio!

Mesmo com a certeza de que não estava. Lá, uma linda mulher rodopiava. Era isso que dizia o sorriso que esboçava levemente de repente. Sorria, como se a alegria de cada rodopio, o atravessasse feito um fio, levantando seus lábios que desejavam tocar os dela. Aquela imagem era bela! Era ela, me dizia! O tempo da malandragem, da poesia, Dos Arcos Da Lapa, lugar onde morava e estava, como eu também estava, mas ele podia ver eu não via nada. Embora pudesse sentir, que em cada parede descascada, janela reformada a história mal cuidada sobrevivia na alma e na mente de gente. Gente! Era assim que o definia...
Mas muita gente mudou, aquele casarão se transformou na resposta de outro tempo, outra humanidade, o sentimento, a alegria de verdade, não entra e não pode pagar... A música importada distanciava os corpos, atordoada retina bombardeada pelas luzes de canhões, no palco desfile de egos, vaidades, ostentações!... Não valiam nada aos olhos de Madrugada. Ele estava lá, apenas, para lembrar...
O que restava da festa eram as rugas que lhe faltavam na testa de setenta anos de idade. A saudade da boemia de verdade. Que se divertia de graça, se estendia na praça, adormecia à goles de cachaça e sorrisos furtivos...
Entre amigos de bebedeira, entorpecidos a tarde inteira, regidos à mesma bandeira:

"...Branca amor, não posso mais, pra essa saudade que me invade eu peço Paz. "

domingo, 25 de novembro de 2007

31


Ainda tenho a chave de casa
Não quero tua tristeza
Basta mudar o canal
A contagem não é regressiva
O tempo parou e a cidade não é tão bonita como ontem,
nem o silêncio existe mais

Lá fora cantam carros,
o vento apenas passa,
e as estrelas não brilham muito...

O cano do andar de cima conversa com a perplexidade
De onde vem a verdade?
De onde vem de verdade!...

Engano
Expectador da loucura
Miope
Sagacidade no disfarse
Não havia resposta
Ouvido mudos
respire... respire...
chore se for capaz!

Lágrimas como artilharia
Saliva do mal
Entranhas dilaceradas, sal
conservando olhos secos no horizonte
Céu de pó,
insignificância
Janela aberta...
Pular,
já não faz sentido

Adeus